segunda-feira, 30 de outubro de 2017

"O país corre o risco de ter que importar engenheiros civis"

O Bastonário da Ordem dos Engenheiros, Carlos Mineiro Alves, em entrevista ao Ensino Magazine volta a afirmar que o país corre o risco de ter que importar engenheiros civis. Ou seja, a Ordem dos Engenheiros, na figura do seu Bastonário, volta a afirmar uma realidade que os seus membros desconhecem. Se perguntar aos membros da Ordem dos Engenheiros, o Bastonário verá que a esmagadora maioria discorda dele. Em que se baseia a Ordem dos Engenheiros para fazer estas afirmações? Será que teve em conta a quantidade de engenheiros civis no desemprego ou em condições precárias e inadequadas de emprego? Será que teve em conta quantidade de engenheiros civis que emigraram "obrigados"?

O que estará errado para a Ordem dos Engenheiros ter uma visão diferente da que os seus membros (e que pagam mensalmente as quotas) têm? Não devia a Ordem dos Engenheiros partilhar a visão dos seus membros?

A propósito disto é apropriado relembrar um artigo aqui publicado sobre este tema: "Um dia destes vamos ter défice de engenheiros civis e vamos ter de importa-los". Ou seja, a temática não é nova, o erro anda a ser repetido... Se os membros da Ordem dos Engenheiros não têm a mesma visão, nem tão pouco saem beneficiados, a quem interessa divulgar isto?

Recordamos também aqui um caso que talvez ajude a Ordem dos Engenheiros a enquadrar-se na realidade que os seus membros vivem: oferta de emprego para engenheiro civil pelo salário mínimo nacional.

Para complementar o assunto, recomendamos ainda outro artigo publicado recentemente: "Metade dos cursos de Engenharia Civil estão vazios mais continuam abertos. Porquê?".

RESUMINDO: 
1 - Há inúmeros engenheiros civis no desemprego, outros tantos em condições precárias de emprego e em condições que deviam ser inaceitáveis para a Ordem dos Engenheiros, e a preocupação é em insistir no "drama" da falta de engenheiros civis e consequente necessidade de importa-los.

2 - Metade dos cursos de engenharia civil estão vazios mas ninguém os fecha, com as consequências negativas que isso tem para a qualidade média do ensino de engenharia civil, assim como para os futuros engenheiros civis.

3 - A quem interessa manter abertos cursos de engenharia civil que estão vazios? A quem interessa tentar encher esses cursos divulgando que vamos ter que importar engenheiros civis? A quem interessa saturar mais um mercado já excessivamente saturado? A Ordem não devia representar os seus membros e os seus interesses?









2 Comentários:

Rubens Mano disse...

Não conheço a fundo o mercado de trabalho em Portugal, mas penso que certas notícias tem a finalidade de vender dificuldades para que se comprem facilidades. Façam um chamado aos Engenheiros desempregados e emigrados com ofertas plausíveis de trabalho e remuneração adequada. Verão que não faltarão interessados.

Edgar Silva disse...

Nota-se o desfasamento entre a Ordem dos Engenheiros e a profissão de engenheiro civil, nomeadamente em relação à situação do emprego. Eu esperava melhor de uma ordem que deveria "lutar" pelos engenheiros, a profissão e empregabilidade , e não somente receber as cotas destes.

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