quinta-feira, 26 de março de 2020

A Cultura e a Economia em tempo de Covid-19 - O exemplo assinalável da DST

José Teixeira, presidente do conselho de administração do dstgroup, assina um comunicado onde aborda o estado da economia devido à pandemia do Covid-19 e onde explica como o dstgroup começou o a desenhar o seu plano para esta situação antes mesmo de haver infetados em Portugal. Atualmente tem já 364 trabalhadores em teletrabalho, garantindo assim que todos os que que podem cumprir a sua função dessa forma o fazem. Fica mais uma vez demonstrada a grande capacidade de reação rápida e adaptação do dstgroup, que assim deu cumprimento ao Decreto n.º2-A/2020 desde o momento da sua entrada em vigor, Decreto esse que torna o teletrabalho obrigatório para todas as funções de natureza técnica, comercial ou administrativa desempenhadas num escritório. Um exemplo assinalável de liderança num setor que no nosso país ainda tem muita resistência à evolução e inovação.

Mas este comunicado tem muitos outros pontos de interesse. Em março contratou já 49 trabalhadores, 3 no dia de hoje. Compromete-se ainda a não despedir ninguém nesta fase, nem mesmo os que estão à experiência, e assume o compromisso com os seus trabalhadores que quer chegar ao fim da batalha com todos eles. Mais ainda, o dstgroup vai assegurar os salários dos 14 trabalhadores da Companhia de Teatro de Braga nos próximos três meses. Recomendamos a leitura na íntegra deste comunicado que apresentamos de seguida.

"As frentes abertas pelo demónio, covid-19, que exigem responsabilidade dos empresários são inúmeras. O dstgroup entende que depende dos seus “soldados” e desde a primeira hora, ainda não existia ainda um único infetado em Portugal, elaborou o seu plano de contingência que tem sido permanentemente atualizado.

Não nos passaria pela cabeça que teríamos 364 trabalhadores em teletrabalho e, com a implementação de ferramentas de gestão, e a monotorização diária, numa espécie de Kaizen às 8,59 horas, conseguíssemos trabalhar.

Independentemente dos recursos colocados à nossa indústria pelo Governo da República e pela banca estamos em condições de garantir os salários dos nossos trabalhadores, os compromissos com fornecedores e parceiros sem exaurir o Estado.

Somos quase 1800 trabalhadores e, com o tal demónio a espernear em fevereiro, admitimos 66 trabalhadores e no presente mês de março, até hoje, 49 novos trabalhadores. Hoje aprovamos a admissão de mais três trabalhadores.

Não, não despedimos ninguém, nem os que estão à experiência serão dispensados a não ser por razões de desfasamento com a nossa psique e de mau desempenho. Até hoje isso ainda não aconteceu a nenhum.

Neste tempo devastador e imprevisível que atravessamos, assumimos um compromisso com os nossos trabalhadores: queremos chegar ao final da batalha com todos os “soldados” de pé. Como lhes escrevemos: se cairmos, e Deus nos ajude para que isso não aconteça, cairemos todos.

Se neste tsunami perderemos dinheiro? Sim perderemos uma parte, mas ficaremos com a restante parte e outra, a principal, aumentada: a confiança dos nossos trabalhadores, dos nossos fornecedores e dos nossos parceiros e isso é valor que não tem preço e nos permitirá surfar as ondas do futuro.

Com isto resolvido precisávamos de dar mais um sinal à Economia.

Nada resistirá, com todos os esforços levados ao seu limite, com todos os recursos utilizados, sem cultura e sem os profissionais da cultura, sem aqueles que, com a sua produção artística, nos permitem ser mais competitivos.

Um país sem cultura não sobrevive.

Assim, e não podendo acorrer a tudo, independentemente de outros apoios sociais do grupo, em curso, decidimos assegurar os salários dos 14 trabalhadores da Companhia de Teatro de Braga nos próximos três meses, fora do subsídio plurianual e apoio que lhe atribuímos há quase 40 anos.

Tornamos público este comunicado na esperança que outros encontrem uma entidade de produção de cultura para apoiar neste momento, para todos desesperado, mas muito mais desesperado para os que vão perder o que não têm.

Pela nossa salvação coletiva: apoiem a cultura."










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