quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Mistura Betuminosa Drenante em Vias Urbanas – Caso prático: Alameda da Europa, Covilhã

Com o crescimento urbanístico e o consequente aumento da impermeabilidade do solo em áreas urbanas, há a necessidade de repensar os pavimentos utilizados em infraestruturas urbanas, incluindo ruas e passeios, a fim de garantir as suas características funcionais. Com as alterações climatéricas que se têm vindo a verificar, como sejam grandes picos de fluxos de águas pluviais abundantes em curtos períodos de tempo que afetam o desempenho dos pavimentos convencionais. Este facto dificulta o tráfego e promove situações de inundação levando a um aumento da acumulação das águas pluviais superficialmente e dificultando a sua absorção pelo pavimento, o que resulta num aumento do caudal à superfície proporcionando assim, maior frequência de inundações urbanas.

Como consequência verifica-se a diminuição do desempenho das vias urbanas levando à degradação e desgaste precoce das mesmas, devido ao inadequado projeto de drenagem e à mistura betuminosa pouco porosa e o aumento do desconforto e a insegurança do trânsito automóvel e da circulação pedonal, o que leva ao impedimento da circulação, ocorrência de acidentes levando à perda de bens ou até mesmo perda de vidas humanas e acumulação de detritos na superfície derivados do escoamento da água.

Em resposta a este problema este estudo visou desenvolver em laboratório, uma solução de mistura betuminosa drenante (MBD) a aplicar em camadas de desgaste, para ser utilizada em vias urbanas, exibindo um melhor desempenho, na resposta à drenagem de águas pluviais, quando comparada com os pavimentos utilizados. Consequentemente, esta mistura betuminosa drenante permite uma maior segurança e conforto para o tráfego (automóveis e peões).
Corpos de prova das misturas drenantes com agregados naturais (à esq.) e resíduos das minas da Panasqueira (à dir.) (Fonte: Autor)

A MBD é uma mistura com uma porosidade de 25% (no mínimo) que confere à mistura a característica drenante e tem como função permitir a infiltração de água. Possui características especiais para a sua aplicação na camada de desgaste, conferindo maior segurança e comodidade de circulação aos utentes, principalmente em períodos de chuva, reduzindo a possibilidade de aquaplanagem e de ruído de rolamento, do efeito “splash” e efeito “spray” (pulverização) da água aquando da passagem dos veículos e diminuição do espelhamento devido à reflexão da luz, nos pavimentos tradicionais molhados, contribuindo assim, para melhorar a visibilidade e segurança do condutor.

O trabalho experimental teve por objetivo desenvolver uma MBD, produzida com betume modificado por polímeros SBS e britas graníticas. De forma a avaliar as propriedades das misturas realizaram-se os ensaios do módulo de rigidez, da permeabilidade, da perda por desgaste e da sensibilidade à água. Pretendeu-se, também, produzir uma mistura com resíduos das Minas da Panasqueira, Covilhã, em substituição parcial dos agregados naturais. Esta solução visa determinar possíveis vantagens económicas e ambientais da redução na utilização de recursos naturais não renováveis, contribuindo ainda para reduzir a quantidade destes resíduos depositados a céu aberto.
 Vista das escombreiras das Minas da Panasqueira, Covilhã (Fonte: Google)

O caso prático consistiu em extrair carotes da Alameda da Europa, na cidade da Covilhã (uma das mais movimentadas desta cidade) e comparar o seu desempenho relativamente à permeabilidade e perda por desgaste em relação às MBD produzidas em laboratório. No final, houve a possibilidade de verificar que a MBD apresentou um melhor desempenho, em termos das características estudadas, permeabilidade e perda por desgaste revelando, as inúmeras vantagens da aplicação desta mistura em vias urbanas face às misturas utilizadas. No que diz respeito à incorporação de resíduos das Minas da Panasqueira, as MBD não apresentaram o desempenho desejado, o que não invalida a sua utilização.
Carotes extraídas da faixa de rodagem com incorporação de resíduos das minas da Panasqueira, rua Centro de Artes, Covilhã

Para fazer download do artigo completo clique aqui.

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Artigo escrito por Ana Tavares, nascida em Aveiro em 1989 e formada em Engenharia Civil, no ramo de Estruturas e Construção pela UBI (Universidade da Beira Interior) desde 2013. Este trabalho foi desenvolvido para a dissertação de Mestrado sob a orientação da Prof.ª Doutora Marisa Dinis-Almeida e Prof.ª Doutora Ana Lídia Virtudes.









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