domingo, 19 de junho de 2011

Os Engenheiros "cábula"

Nos últimos dias veio à baila o tema das cábulas em exames devido ao caso dos alunos do CEJ que foram apanhados a copiar. Uma vez que foram apanhados, a consequência imediata devia ser chumbar... não ter 10, ou até repetir o exame. Uma decisão num destes dois sentidos, descredibiliza quem a toma e todo o meio onde se insere. Mas interessa reter outra coisa, é que não podemos discutir o assunto como se se tivessem descoberto os primeiros malandros que copiam em Portugal. Já todos (e aqui o todos não se aplica a 100% das pessoas, mas quase) em algum ponto do percurso estudantil copiamos ou pelo menos tentamos. No que diz respeito aos engenheiros nem é preciso ir muito longe, quem nunca municiou a sua máquina de calcular de informação que não era permitida a consulta em exame? Com mais ou menos arte, a maior parte dos alunos que copiam acaba por se safar sem nunca ser apanhado. O problema é que muitas vezes trazem esse sentimento de impunidade para o mercado de trabalho, e aí o caso muda um bocado de figura, aí é cada um por si.

Actualmente com a introdução das plataformas electrónicas de contratação pública nos concursos públicos, as propostas de todas as empresas ficam disponíveis para as outras logo a seguir à abertura dos resultados. Um recurso que devia ser usado apenas para consulta da proposta dos outros concorrentes para aferir se está tudo conforme o exigido no programa de procedimento, acaba por ser um recurso que as empresas usam para desenvolver e melhorar os seus próprios processos. Até aí tudo bem, não tem mal olhar para quem faz melhor que nós. Não tem mal irmos buscar "inspiração" à memória descritiva de um concorrente que a tem muito melhor elaborada que nós. O que tem mal é quando alguém pega nessa memória e a plagia... aí entra no domínio do crime e as consequências podem ser várias.

A primeira é que nos concursos em que coincidirem com a empresa da qual plagiaram a memória, poderão ser excluídos, arriscando-se a perder obras por uma estupidez. A segunda é que além de serem excluídos, podem ser processados, com direito a indemnizações. E não pensem que estas coisas só acontecem se coincidirem em concursos com a tal empresa plagiada... já tem acontecido de alguém avisar a empresa plagiada (o país é pequeno, toda gente conhece toda gente) e da mesma intervir judicialmente, mesmo não estando ligada ao concurso.

O pior é que isto muitas vezes acontece sem o consentimento do patrão. Ou seja, o engenheiro em causa, cábula por natureza, pensa que encontrou o caminho marítimo para a Índia, e decide copiar uma memória descritiva de um concorrente, tendo assim pouco trabalho e garantindo reconhecimento nas avaliações técnicas. Pensa ele que nunca ninguém reparará, que nunca ninguém irá denunciar (esquece-se que já não é estudante, que já é profissional)... até o dia em que alguém repara, em que a empresa para a qual trabalha é metida em sérios problemas e que em último o caso o pode despedir com justa causa.

Por muito acessível que esteja, por muito fácil que seja, copiar um texto (por vezes até mesmo uma ideia) pode ser um crime grave, que mais não seja vai afectar a reputação da empresa envolvida no caso e do técnico (engenheiro civil, arquitecto, ou outros) que o pratica. Além da reputação, o que não é assim tão insignificante, como referido no texto, há outras coisas em jogo...

Aquele que perde a reputação pelos negócios, perde os negócios e a reputação. [citação de Francisco Quevedo]









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