segunda-feira, 3 de julho de 2017

Gabriel Couto investe na reabilitação em Portugal

Sem descurar o alargamento de horizontes ao ganhar concursos de África à América Latina, a Gabriel Couto reconhece, no entanto, o papel tecnicamente muito exigente que assume a reabilitação na sua estrutura empresarial. Carlos Couto, CEO desta construtora, garante que apesar da coragem com que uma grande parte das empresas abordaram novos mercados, em particular em África, não poderá substituir nunca a necessidade de um mercado de obras públicas em Portugal, exigente do ponto de vista da engenharia, em particular no sector onde existe ainda uma enorme carência, como o sector ferroviário e portuário.

O nicho de mercado da reabilitação é, porém, na sua opinião, muito importante para as construtoras nacionais, embora não substitua o investimento público, como política para resolver os problemas que o sector da construção em Portugal sofre. «A reabilitação ajuda muito, mas é insuficiente», recorda Carlos Couto.

É verdade que a reabilitação urbana é hoje uma parte significativa do volume de atividade para o setor da construção. A Gabriel Couto não foge à regra e por isso tem estado empenhada na reabilitação e requalificação, quer na área da hotelaria, quer na residencial. Mas a construtora de Famalicão não tem ficado por aqui e tem investido, e muito, na reabilitação de excelência, nomeadamente em património cultural.

A requalificação do Museu de Escultura Contemporânea, que se insere no conjunto patrimonial, como o Mosteiro de S. Bento em Santo Tirso, um projeto de Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto Moura, é um dos mais recentes trabalhos desta construtora. A dificuldade maior deste projeto foi a de introduzir um corpo novo ligado ao antigo Museu Abade Pedrosa.
Era necessário um novo acesso e ter em conta a existência, em frente de um jardim que dá para a cota superior da cidade. Havia ainda uma capela, vinda de uma quinta e que ali estava isolada. Os arquitetos optaram por construir um corpo retangular e criaram um vértice de ligação ao convento. «A implantação foi feita cuidando de incluir na composição a capela, que estava perdida no terreno», recorda Siza Vieira.

Outra empreitada que demonstra na sua plenitude o empenho por parte do departamento de engenharia da Gabriel Couto foi o êxito alcançado na reabilitação do Convento do Carmo (construído em 1558), em Torres Novas. A melhoria das condições de salvaguarda e valorização do Convento do Carmo, numa perspetiva de transmissão para o futuro dos bens culturais, de forma a manter a sua existência e assegurar a sua fruição com respeito pela sua identidade específica e pela integridade patrimonial, foi um desafio para a construtora.
«O crescimento do fluxo de turistas no nosso País tem sido uma das principais alavancas para o crescimento do ritmo de projetos reabilitados e em execução», diz Carlos Couto que adianta ainda que «a criação de alguns instrumentos de financiamento, em particular para obras de maior vulto, deu também uma ajuda significativa para a concretização de vários projetos».

Sem perder o norte para os novos desafios que se avizinham no setor de construção o responsável máximo da Gabriel Couto garante que está preparado perante as novas exigências da engenharia para dar continuidade a reabilitação de excelência, como provam os excelentes trabalhos executados nos monumentos de Santo Tirso e Torres Novas.







2 Comentários:

Hugo Antão disse...

Pelo que sei e percebi, são varias camadas de diversos materiais sobrepostos e aplicados um de cada vez, e cada um com a sua função. E pelo que percebi podem-se usar varios tipos de materiais, mas não sei bem quais. Que tipos de materiais sao usados e que alternativas há em cada um e os mais caros/baratos e com melhor coeficiente térmico para o frio ou para o calor?

Outra polémica está nos casos que aconteceram nos UK com aqueles edificios que arderam devido ao isolamento que aplicaram no predio. Os isolamentos daqueles edificios eram deste tipo certo? Pelo que percebi, eram também isolamentos (materiais usados) proibidos no UK. Quais eram? (seria o "cappoto" com recurso a placas de poliuretano expandido, as tais placas EPS ou XPS?) e também são proibidos em Portugal?

Mário Pereira disse...

O facto de, segundo as últimas notícias, ter havido pessoas envenenadas com cianeto indica que o isolamento deveria ser de poliuretano (PUR). Em relação ao comportamento do EPS quando integrado no cappoto, alguns estudos (http://www.isoferes.com.br/imagens/ARQUIVOS%20PDF%20SITE/Comportamento%20do%20EPS%20ao%20fogo.pdf) parecem mostrar que a sua reduzida carga térmica resultante da sua baixa densidade, associada à carência de oxigénio provocada pela sua incorporação entre placas de argamassa bem como o facto da sua combustão libertar essencialmente dióxido e monóxido de carbono, tornam-o seguro em situações de incêndio comparativamente com outras soluções de revestimento.

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