segunda-feira, 22 de maio de 2017

II Seminário sobre Revitalização Urbana – Reforço Sísmico nos Edifícios

A Ordem dos Engenheiros Técnicos, em parceria com o Instituto Politécnico de Tomar e a Direção do Convento de Cristo realizam a 2ª edição de Seminários sobre Revitalização Urbana com o tema “ Reforço sísmico nos edifícios”. Este seminário terá lugar em Tomar, nas instalações do Instituto Politécnico de Tomar e no Convento de Cristo, no próximo dia 23 de maio e tem como objetivo criar um sistema interativo, eficaz e sustentado, envolvendo diversas entidades e personalidades de relevância nas áreas em discussão. O programa tem como subtemas “O risco sísmico em Portugal”, “A importância e os métodos da reabilitação sísmica”, “Os edifícios públicos e a vulnerabilidade aos sismos” e em Mesa Redonda será debatido “O risco sísmico e a situação atual em Portugal”.

Numa entrevista à RTP, o professor doutor Mário Lopes, investigador no Instituto Superior Técnico (IST), especialista em engenharia sísmica e um dos oradores esperados neste seminário, afirma que passou 14 anos confrontando os políticos com a necessidade de se implementar novas medidas ao nível da construção sísmica e alterar a legislação a esse nível mas foi um esforço infrutuoso, a maior parte das vezes os projetos nem sequer chegavam às entidades superiores ou não chegavam a ser aplicados.

A lei 32/2012 diz que numa obra de reabilitação urbana não é preciso respeitar a legislação posterior à construção original, ou seja, para qualquer edifício cuja construção original seja anterior a 1958, como a legislação tinha grau zero de exigência de proteção sísmica, pode continuar a ser zero. Em 1988, a Comissão Europeia desenvolveu regulamentos a aplicar na Europa, entre os quais, o regulamento da atividade sísmica adotado em Portugal. Até hoje, o regulamento continua em vigor, contrariamente à Grécia e à Itália que procederam a sua atualização.
Sem regulamentos atualizados, sem fiscalização da construção “faz com que só trabalhe bem quem tem consciência e competência para o fazer. Se não tem pode aldrabar o projeto que não há consequências nenhumas até vir o sismo. A consequência é que nós temos de tudo: construções boas de primeiro mundo e, ao lado, pode ter um edifício igual, mas que é um baralho de cartas que se desfaz com o primeiro abanão.”

Não havendo grandes desenvolvimentos na luta do Dr. Mário Lopes, este optou por tomar uma atitude passiva, partilhando o seu conhecimento aos seus alunos, em palestras e em projetos de investigação com o intuito de que haja uma mudança no futuro.

Desta atitude nasceu o projeto Knowrisk que se trata de um programa financiado pela União Europeia e que tem como objetivo principal difundir informação para os cidadãos sobre as matérias relacionadas com os sismos. Será criado um portefólio e um guia de procedimentos com um conjunto de instruções para ajudar as pessoas a identificar os riscos e algumas medidas simples e baratas para reduzir esses riscos, pois basta um sismo mediano para que, mesmo numa boa construção, os perigos relacionados com o recheio dos edifícios, possam causar não só danos económicos como também danos humanos.

O professor do IST, deixa o alerta dizendo que “As últimas grandes catástrofes têm estado afastadas daqui. Mas temos a certeza absoluta que a sorte não dura para sempre.”

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Artigo escrito por Catarina Vicente.







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