sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Plano de manutenção de fachadas na zona costeira

A ausência da manutenção nos edifícios promove a desvalorização do património, além de se refletir na qualidade de vida dos ocupantes de cada edifício. As fachadas representam a maior preocupação sendo um dos componentes que maior cuidado deverá merecer na manutenção de um edifício, não só porque se trata da parte visível da construção mas também por se encontrar mais exposta aos mecanismos de degradação.

Muito dificilmente se torna viável construir edifícios livres de manutenção uma vez que em maior ou menor grau, todos os elementos do edifício se deterioram, dependendo a sua evolução e gravidade do tipo de material e dos métodos de construção, das condições ambientais e do uso.

Uma estratégia de manutenção pró-ativa tem um caráter planeado com atuação atempada às anomalias em que as ações se distinguem pela inspeção, limpeza e reparação e/ou substituição.

Neste tipo de estratégia, torna-se imprescindível que cada ação tenha data de intervenção prevista de forma a reduzir no custo total de manutenção e de acordo com valores de qualidade exigidos na manutenção, em que cada intervenção, segundo elementos distintos deve ter uma periodicidade especifica, dependendo das características do meio ambiente onde se insere.
 Para a implementação da estratégia pró-ativa durante a vida útil do edifício tornam-se essenciais os planos de manutenção onde estes devem seguir uma metodologia, tanto de ações de inspeção como ações de limpeza, reparação e substituição.

Estas ações de manutenção fazem parte da estrutura do plano de manutenção onde este define previsões e planeamento das mesmas, conforme a figura a seguir.
As fachadas como parte da envolvente exterior vertical do edifício desempenham um papel muito importante na envolvente interior. A degradação de fachadas deve-se a vários fatores que acarretam elevados custos reduzindo a seu ciclo de vida.

Na maioria dos casos, a fachada de um edifício quando projetada não é pensada de acordo com a influência ambiental, levando a estados de degradação prematuros com maior facilidade dos ataques atmosféricos que provocam as anomalias superficiais transformando-se na maioria das vezes em anomalias mais complexas dependendo da intensidade de exposição ao meio ambiente.

Todos os elementos que compõem uma fachada sofrem agressões diárias que leva a fachada à sua deterioração e que por sua vez diminui a vida útil do edifício. A estimativa de vida útil influi na estratégia de manutenção adotada, sendo definida pelo período de tempo após colocação em serviço durante o qual se mantém as propriedades em mínimos aceitáveis dos elementos de fachada.

Os revestimentos quando aplicados em ambiente marítimo devem ter boa resistência a este tipo de ambiente, devendo ser protegidos através de produtos específicos adicionais ao tipo de revestimento e aplicados segundo as normas de construção com posterior planeamento de ações de manutenção ao longo da vida útil com as respetivas periodicidades.

Anomalias Correntes nas fachadas na zona costeira

Um dos agentes climáticos mais agressivos nas fachadas é a água do mar que transporta cloretos até a superfície dos materiais através de gotas onde cristais provenientes da brisa marítima, sendo que as anomias mais gravosas são detetadas nas estruturas em betão aparente devido à forte potencialidade de corrosão de armaduras.

O fator humidade é a maior causa de anomalias nas fachadas estando este fator ligado direta ou indiretamente ao tipo das anomalias conforme a figura a seguir.
As condições ambientais tais como, a chuva, o vento, o sol e a poluição são de grande influência nas manchas dos elementos de fachadas. Quando existe forte concentração de água em zonas pontuais, esta, provoca o processo de lixiviação e eflorescência promovendo o aparecimento de manchas. O sol influi também no aparecimento desta anomalia devido ao longo período de exposição das fachadas. Relativamente à poluição, tem uma forte influência devido à sua deposição de impurezas nos elementos constituintes da fachada provenientes dos agentes agressivos.

As fissuras aparecem na sua maioria devido a ações higrotérmicas causado pelo comportamento dos diferentes materiais cuja dilatação e retração provoca a fissura, onde se identificam na sua maioria como as microfissuras derivadas da exposição a chuvas e vento a que uma fachada está sujeita e estas, surgem das infiltrações.

As eflorescências aparecem através de formações salinas na superfície dos materiais que na grande generalidade não se desenvolve para outra anomalias mais grave além do seu aspeto estético negativo. Em algumas situações o sal formado na superfície pode mesmo levar ao descolamento do revestimento ou descasque da pintura ou até mesmo à queda de elementos construtivos. Na maior parte dos casos o tipo de sais que provoca a eflorescência faz parte integrante dos materiais de construção aplicados nas fachadas que atrás de humidade, depositam os sais que formam as manchas.

Para evitar o aparecimento ou reaparecimento de anomalias é fundamental que exista a implementação de ações ou operações de manutenção como objetivo diminuir o estado de degradação provocado pelas anomalias detetadas, sendo estas ações parte integrante da implementação de um plano de manutenção.

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Artigo escrito por Maria Boto, formada em Engenharia Civil pela UFP (Universidade Fernando Pessoa - Porto) desde 1998. Pós-graduada em Construção pelo IST (Instituto Superior Técnico - Lisboa) e Mestre em Engenharia Civil pela UFP (Universidade Fernando Pessoa - Porto) onde desenvolveu a dissertação com o tema "Plano de Manutenção de Fachadas na Zona Costeira".







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