quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Cerca de meio milhar de acidentes com suspeita de origem eléctrica em 2012

A CERTIEL – Associação Certificadora de Instalações Eléctricas detectou no ano de 2012 quase meio milhar de acidentes potencialmente eléctricos: 138 registos de acidentes com origem comprovadamente eléctrica, e 335 incêndios em edifícios cuja origem não foi divulgada mas que se suspeita ser eléctrica, o que totaliza 473 registos. Dos acidentes com origem eléctrica, 95% foram causadores de incêndio ou levaram à chamada dos bombeiros. Cerca de 60%, tanto dos acidentes eléctricos como dos incêndios com origem desconhecida, ocorrem em habitação, registando-se 203 feridos – uma média de 17 feridos por mês –, 328 desalojados, e há ainda a lamentar a morte de 47 pessoas.

Em apenas 21 concelhos registam-se cerca de metade de todas as ocorrências registadas. Os concelhos de Lisboa, Guimarães, Porto e Setúbal são os que mais acidentes registam, tanto de acidentes com origem eléctrica como de incêndios com origem desconhecida em edificado. Contabilizando as ocorrências totais, Março foi o mês com maior número de acidentes, seguindo-se Fevereiro, Janeiro e Junho com o mesmo número – o que já se havia, aliás, verificado em 2011, com um pico de registos em Junho – e Dezembro. Tendo em conta apenas os registos de acidentes com causa eléctrica, o curto-circuito foi a origem mais comum (96), seguindo-se a sobrecarga da instalação eléctrica (20), a utilização incorrecta (17) e o contacto directo/falha de isolamento (cinco).

Dos 437 incêndios registados (123 com causas eléctricas e 314 com causas desconhecidas), 55% destruíram total ou parcialmente habitações, e 33% destruíram total ou parcialmente estabelecimentos recebendo público e estabelecimentos de saúde, educação, indústria e agricultura. Pelos dados recolhidos, constata-se que a incidência dos acidentes – tanto eléctricos como incêndios com origem desconhecida – é maior nos meses do ano de maior frio, o que, na opinião de Pedro Caroço, director técnico da CERTIEL, «poderá estar relacionado com a utilização de equipamentos caloríferos, sendo estes os responsáveis pelo acréscimo do consumo de energia eléctrica nas habitações, com reflexo na carga aplicada às canalizações eléctricas».

A similaridade entre os acidentes de origem eléctrica (que incluem choque eléctrico, incêndios, ou falha de equipamentos) e os incêndios com origem desconhecida é notória relativamente à distribuição mensal das ocorrências, assim como à distribuição de uns e de outros por concelhos. Ou seja, sempre que o número de acidente eléctricos cresce ou diminui, também os incêndios em edificado com causa desconhecida seguem essa tendência. O padrão aparenta ser o mesmo e, para Pedro Caroço, essa relação é «inequívoca, pelo padrão equivalente em todas as vertentes estudadas». Das 47 vítimas mortais registadas, 24 perderam a vida em ocorrências de origem garantidamente eléctrica; além disso, dos 138 acidentes com origem eléctrica, 54 são responsáveis por mortos ou feridos.

O estudo resulta da análise do registo dos acidentes de origem eléctrica noticiados na imprensa online durante o ano 2012 e, conforme explica Pedro Caroço, «pretende consciencializar a opinião pública para uma situação que existe e que não é suficientemente valorizada, mas que tem consequências humanas e materiais significativas», alertando que se impõe «consciencializar as pessoas para a segurança eléctrica, e enraizar o conceito de segurança eléctrica em Portugal».









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